Transformemos a indignação em ação política organizada e em formação.
1. A Tempestade Perfeita: Crise Estrutural e Ambiental
Estamos no final de mais um ano. Desejo a todos camaradas boas festas e um 2026 de muita luta e trabalho de organização e formação das massas. As festas de fim de ano são um excelente momento para reflexão da realidade que vivemos e dos caminhos que podemos percorrer.
Não vivemos apenas uma "fase ruim" do sistema capitalista. Vivemos uma profunda crise estrutural do capital. O capitalismo esgotou sua capacidade de promover qualquer tipo de desenvolvimento social e agora sobrevive da barbárie, da precarização absoluta e da pilhagem de direitos.
Essa crise se manifesta de forma dramática na catástrofe ambiental. O capital não respeita os limites biofísicos do planeta, pois a busca pelo lucro imediato está destruindo as condições de vida da humanidade e das futuras gerações. Não há "capitalismo verde"; ou superamos esse sistema, ou ele nos levará ao colapso.
2. A Crise da Esquerda e o Desmonte da Educação
Infelizmente, enfrentamos o aprofundamento da barbárie em um momento de profunda crise da esquerda. Nos perdemos em divisões e em lutas fragmentadas, enquanto a extrema-direita avança sobre a consciência e organização do povo.
Essa crise se reflete diretamente na educação. O que vemos hoje é um projeto de "deseducação", estando a escola pública atacada em todas as frentes: o privatismo avança, o ensino é esvaziado de conteúdo científico e transformado em mero instrumento de alienação. O capital quer que o filho do trabalhador saiba apenas operar máquinas ou aplicativos, sem entender o mundo que o cerca. Interessa privatizar a escola pública, mantendo seu caráter estatal.
Lucro financeiro é o que importa!
3. A Reação: Organização e Formação de Quadros
Mas não podemos transformar esse momento de festas para apenas lamentar e sim para reagir. A história nos ensina que não há saída individual. A nossa resposta precisa ser a organização e formação coletiva das massas. Precisamos nos voltar para o trabalho de base, para os bairros, para o campo, para as fábricas e para as escolas.
Além do trabalho de organização, precisamos da formação de quadros e da militância. Não basta a vontade; é preciso o estudo, a teoria aliada à prática. Militante não é apenas quem agita, é quem estuda a realidade para poder transformá-la. Precisamos de quadros preparados para enfrentar a batalha das ideias e a luta de classes nas ruas.
4. A Escola Pública e a Pedagogia Histórico-Crítica
Nesse contexto, a nossa trincheira fundamental é a defesa da escola pública, gratuita, laica e de qualidade. A escola não é uma empresa; é o espaço onde a classe trabalhadora tem o direito de acessar a ciência, a arte e a filosofia produzidas pela humanidade.
E aqui somos categóricos: a saída para a educação dos nossos filhos é a Pedagogia Histórico-Crítica (PHC).
A PHC nos ensina que o acesso ao saber elaborado - ao conhecimento científico e sistematizado — é uma ferramenta de luta. Negar o conhecimento aos filhos dos trabalhadores é uma forma de dominação. Quando o filho do trabalhador domina a ciência e a história, ele compreende as engrenagens da exploração e se torna capaz de lutar por sua emancipação.
5. Conclusão
Para encerrar: a crise é profunda, mas a nossa determinação deve ser maior.
Transformemos a indignação em ação política organizada e em formação.
Pela escola pública de qualidade,
pela formação de uma militância de aço,
pela superação deste sistema que nos oprime,
pela construção de uma sociedade justa e igualitária.
Boas festas e um 2026 de vitória da esperança contra o retrocesso.
À luta, sempre!